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quinta-feira, 3 de março de 2011

Extraneus e Histórias Fantásticas

2010 está sendo um ano agitado para a Literatura Especulativa verde e amarela – talvez a mais subterrânea das nossas literaturas. Dia 20 de Novembro chegam duas séries produzidas pelo selo Estronho, as Coleções Extraneus e Histórias Fantásticas, organizados por M. D. Amado e Georgette Silen, respectivamente.




 COLEÇÃO EXTRANEUS



Volume 1 - Medieval Sci-FI 
“Sua proposta é unir contos em que os elementos medievais se misturem com os da ficção científica. Os autores tiveram total liberdade de criação, podendo fazer as misturas que quisessem entre esses dois temas. Foram utilizados como elementos: cavaleiros, dragões, viagens espaciais, viagens no tempo, alienígenas e outros.”
Prefácio de Richard Diegues.
Autores Convidados: Ana Cristina Rodrigues, Gianpaolo Celli, Leandro Reis, Leonardo Pezzella, Renato A. Azevedo, Rober Pinheiro, e Simone O. Marques.
Autores Selecionados: Cirilo S. Lemos, Cláudia Zippin Ferri, Davi M. Gonzales, Gadiego Silvestrini, Larissa Caruso, Rebis Kramris e Rudá Almeida.

  • Antologia de contos
  • 134 páginas
  • ISBN: 978-85-63586-08-7
Previsão de lançamento: 20 novembro de 2010
Dos três volumes planejados (Quase Inocentes Em Nome de Deus), participo do primeiro, Medieval Sci-Fi, com o conto Dez Lampejos do Muçulmano de Ferro. A mistura de FC com Idade Média atraiu minha atenção imediatamente, tanto pelo seu potencial de produzir coisas realmente doidas quanto pela dificuldade de extrair dela alguma coisa aproveitável. Desafio é uma coisa legal, certo? A primeira coisa que me veio à cabeça foi um filme que vi no SBT muuuuuito tempo atrás, sobre uma invasão alienígena em plena Europa Feudal. Nunca descobri nem o nome da pérola nem alguém que já a tenha visto, de modo que não posso dar certeza se não é fruto da minha imaginação.
A segunda coisa que me ocorreu foi: Peraí. O que exatamente se quer dizer com Medieval? O período histórico que vai até a tomada de Constantinopla? A Fantasia Heróica estilo Dungeons&Dragons, comumente chamada Fantasia Medieval? Confesso que torci pela primeira opção. E era ela, de fato, mas nada impedia que elementos fantásticos dessem o ar de sua mágica.
Comecei a trabalhar na idéia de uma Peste Negra que de alguma forma fosse uma arma biológica oriunda de uma fonte extra-medieval. Quebrei a cabeça por um bom tempo, na frente da folha em branco. Legal, como ia falar disso em 10.000 caracteres? E que tipo de história seria? Resolvi mais ou menos que seria do tipo agente secreto, com a verdadeira razão da viagem dos Polo para a corte de Kublai Khan, uma ameaça militar ao Ocidente etc. Mas seria necessário um grande malabarismo com datas. Além disso, não confio quando a ideia me ocorre muito rápido: se ela vem pra mim, vai pra outros também, que Musas Inspiradoras são vadias.
Resumindo a ópera: meu conto é uma mistura de Tony Stark com H. Ridder Haggard e Lovecraft, despretensioso e que foi bem divertido de escrever. É sobre um árabe que descobre uma estranha estátua, que pode expulsar os cruzados da Terra Santa bem antes do esperado. Muito poder militar nas mãos de Saladino, para desespero das potências européias. É uma pequena piadinha também com a querela atômica do Irã. Para contar a história, usei a estrutura que Bruce Sterling usou no conto 20 Evocações (que saiu na Terra Incognita) e que Rubem Fonseca usou em 74 Degraus. Consiste em pequenas divisões que sugerem ao leitor uma história bem maior do que é mostrada.

HISTÓRIAS FANTÁSTICAS
“O Fantástico está presente em todas as culturas e mitologias que cercam o ser humano, desde os primórdios. Crendices, lendas, tudo faz parte do processo de crescimento do homem, e de seu povo. É intrínseco, inegável e indissolúvel na formação de uma sociedade
Nada mais natural, portanto, que a Literatura Fantástica faça proveito dela, do imaginário popular, das lendas e superstições que nos acordam a noite, que nos transportam a outro lugar. Olhos brilham na escuridão, fadas voam com brilhos fosforescentes, curupiras assoviam, enquanto fantasmas povoam os quatro cantos, causando medo e tremor. Vampiros e bruxas, lobisomens e monstros, criaturas do imaginário coletivo serão os protagonistas de uma nova aventura. E estarão ao redor do leitor, que não terá como desviar o olhar.
Histórias Fantásticas é fruto da parceria entre a organizadora Georgette Silen. Irá contar com 21 contos selecionados no primeiro volume, que retratem toda a magia, a beleza, o fascínio e a diversidade do universo da Literatura Fantástica Brasileira. Os autores dessa série estão convidados a explorar todos os tipos possíveis de criaturas fantásticas, com temática livre dentro do gênero Fantástico, dando vida às letras do imaginário, transportando o leitor a universos e variadas dimensões.”

Também neste participo do Volume 1. Meu conto, Raparigas em Flor, é sobre as arapucas que os amigos volta e meia nos metem. O título é uma referência ao Proust.

Ambos os livros serão lançados na Jedicon, (dia 20 de Novembro, mas acho que eu já disse isso, né?). Como o de praxe nos eventos fora do Rio de Janeiro, é difícil que eu apareça por lá. Fisicamente, pois em espírito estarei lá. Se você for médium ou um Caça-Fantasmas, a gente se esbarra.

Imaginários 3



Achar um espaço ao sol, em qualquer nicho de atividade, é coisa complicada. Piora quando o referido nicho é uma, digamos, atividade artística. Se você que está lendo isso e tem pretensões de escrever O Grande Romance depois da faculdade ou quando o trabalho der um tempo para sua mente brilhante entrar no ritmo (o que, sinto dizer, só vai acontecer quando for um aposentado, desempregado ou escrever obras primas em trinta dias de férias), com certeza já devorou um sem número de dicas de escritores, processos criativos, teorias da Literatura e, como aquele brinquedo favorito, desconstruiu textos dos autores que gosta para entender como funcionam. (Caso diga que não fez/faz nada disso você não está sendo muito sincero ou não se esforça muito, certo?). Espremido entre coisas como “saia e veja as pessoas”, “não mande seu original sem ser solicitado” e “gaste seu dinheiro com cerveja” encontramos com freqüência um “publique em antologias”.

– Hã? Como é? – eu sempre resmungava, surpreso, quando esbarrava como algo do tipo. – E como vou encontrar antologias, senhor sabichão?

Digamos que talvez eu não estivesse procurando nos lugares certos. Mais ou menos um ano atrás, enquanto singrava alegremente os mares do fandom brasileiro, esbarrei com dois livrinhos com o logotipo de um dragão na capa. Tratava-se dos dois primeiros volumes da coleção Imaginários, da Editora Draco, com uma lista de nomes que, se não são famosos nos círculos da literatura do cotidiano (termo cunhado pelo Eric Novello e que me aproprio aqui), tem seu peso na Ficção Especulativa brazuca (e portuga). O objetivo do editor Erick Santos era priorizar a literatura produzida aqui, apostando na qualidade dos escritores brasileiros, que em seus grandes momentos não ficam atrás dos estrangeiros.

Um ano depois, a idéia da editora tem  dado resultados. O dragão está soprando novos títulos com espantosa velocidade, visando o público além do tal fandom. Em meio a tantos livros já lançados e outros tantos chegando – que inclusive já falamos aqui no Coelho – um é particularmente especial para este que vos tecla: o terceiro volume da coleção Imaginários. Pode adivinhar por quê? Aí vai uma pista, escondida nos contos que compõem o volume. As sinopses foram escritas por seus autores a pedido de Douglas MCT:

BONIFRATE é uma singela homenagem a Pinóquio, do Collodi.
Concebi a trama usando alguns elementos steampunk e de Fantasia, com um alto grau de estranheza embutidos aqui e ali. A história, por mais que tenha meu estilo, é uma experimentação proposital de narrativa e condução de plot. Para o clima, me inspirei em alguns conceitos de Matrix e, para elaborar certas cenas e situações, busquei bases em Watchmen. Há ali a essência do Grande Irmão, construtos com coração a vapor, espíritos e uma força maior — e talvez mecânica — conduzindo as peças.

É uma ficção alternativa, que brinca com as incógnitas e tenta fazer o leitor se perder em algumas esquinas, num lugar não definido. A ideia ao escrever Bonifrate, era deixar a imaginação de quem lê complementar os espaços vagos de propósito no texto, para chegar ao seu desfecho próprio, único. Quero que essa leitura seja uma experiência para o leitor, como foi para mim ao escrevê-la.


A TORRE DAS ALMAS | Eduardo Spohr
No universo de A Batalha do Apocalipse, um grupo de anjos de Gabriel sai em missão e descobre pistas do que pode ser uma conspiração ao investigar na Terra aquilo que parece ser um simples caso de espírito aprisionado.

BREVE RELATO DA ASCENSÃO DO PAPA ALEXANDRE IX | Marcelo Assami
Monstros são caçados perto do Vaticano, uma família brasileira decide eleger um novo Papa e Gaetano Casanova escreve novas memórias.

AS NOIVAS BRANCAS | Rober Pinheiro
É o segundo conto de Ficção Científica que escrevi, e narra as desventuras bem o estilo ao infinito e além de uma personagem conhecida do nosso folclore, porém deslocada de seu contexto local e inserida num ambiente totalmente diferente.

DIES IRAE | Lidia Zuin
Pelas ruas de uma metrópole, sobrevive a pútrida e degenerada figura de uma hacker engolida por substâncias narcóticas. Consumida por seu comportamento junkie, Lynx vive sob condições precárias e sob a ameaça de ser morta por um grupo de jovens violentos, os rivetheads. Dies Irae é um conto cyberpunk que viaja por tribos urbanas e arquétipos de um futuro perturbado por gangues, megacorporações e por uma incrível e insensata sensação de falta de limites.

VIDA E MORTE DO ÚLTIMO ASTRO PORNÔ DA TERRA | Marcelo Galvão
Em um mundo no qual humanos perderam seus empregos para robôs, um ex-ator pornô tenta recuperar seus dias de glória a qualquer preço.

CORRE, JOÃO, CORRE | Cirilo Lemos
João é um fracassado. Marido medíocre, pai ausente e carente de senso prático, tudo o que ele mais deseja na vida é ser um homem melhor. Quando estranhos vultos vêm atrás de seu filho, o que ele pode fazer além de correr?

UMA SEGUNDA OPINIÃO | Fernando Santos de Oliveira
Uma garota que quer ser popular e chamar a atenção do menino que gosta, age sob os conselhos de alguém terrível e pode se tornar o que mais odeia.

MARIA E A FADA | Ana Cristina Rodrigues
É uma fantasia histórica passada no século XV, que trata da sucessão do ducado da Borgonha e da lenda da Melusina.

O PRIMEIRO CONTACTO | Fábio Fernandes
É uma homenagem-sátira à space-opera, escrita à maneira de um de seus representantes máximos, Edmond Hamilton. Na verdade, é uma espécie de transição do steampunk para a space opera, pois misturo personagens já usados em histórias steamers com personalidades da vida real para descrever como poderia ser um contato com alienígenas nos anos 1920. O conto tem de tudo um pouco: velozes espaçonaves, bravos soldados do espaço, malignos seres de outros mundos e um final-surpresa, claro.

“Publique em antologias”. Finalmente entendi.

Imaginários 3 pode ser encontrado aqui.

Zona do Crepúsculo (sem vampiros que brilham)

Crepúsculo sem vampiros brilhantes




“Entraremos numa dimensão não só de imagem e som, mas da mente. Sua fronteira ultrapassa a imaginação. Um cartaz diz: Próxima Parada: Zona do Crepúsculo.”



Quando eu andava sortudo, tive o prazer de receber das mãos do Octávio Aragão, o pai da Intempol, um presentinho esperado com ansiedade: o livro Galeria do Sobrenatural, uma coletânea para lá de especial publicada pela editora Terracota em 2009. Logo na apresentação, ficamos sabendo que a seleção de contos organizada por Silvio Alexandre é uma homenagem ao seriado Além da Imaginação, criado por Rod Serling, do qual – e eu lamento dizer aqui – não me lembro de um único episódio sequer.


Partindo desse princípio, é de se imaginar que todas as histórias sigam o climão da série, aquela coisa do estranho misturado ao cotidiano, do sobrenatural, do bizarro, certo?


Certíssimo.


(Eu acho: lembre-se do que eu disse cinco ou seis linhas acima).


O livro conta com uma série de autores gabaritados, que em nenhum momento abandonam seu próprio estilo a fim de se ajustar à proposta da antologia. Com isso, conseguem manter um espírito que não faz feio ao seriado e ao mesmo tempo estabelece uma identidade própria. Isso não é algo fácil de se conseguir.


Participam do livro nomes como Andréa Del Fuego, com o conto introdutório pós-apocalíptico metalingüístico Blade Zone. A seguir, aos moldes de Moacyr Scliar, temos Braulio Tavares contando depressa a história com jeitão de interior d’O homem que perdeu seu reflexoClaudio Brites vem com Só um acontecido, bem mais insólito que o título faz parecer. Claudio Villa, com A cápsula, fala sobre uma civilização que descobre os restos de outra. Danny Marks, em Limites, conta (ou não) o que aconteceu com o Dr. Rose. Um dos gurus da FCB, Fábio Fernandes, trata de questões raciais (é, eu sei, raças não existem dentro da família humana) de forma interessante em O Haiti é aqui. Uma das damas que compõem a trindade das autoras vampíricas brazucas, temos Giulia Moon com No céu, um bater de asas. Vi a Giulia na Bienal do Livro do Riocentro, mas fiquei com vergonha de falar com ela. Timidez é foda. O demônio está chamando é o título do texto de Jana Lauxen, sobre uma ligação do você-sabe-quem para um sujeito comum. Lúcio sempre-excelente Manfredi, senhor de uma prosa toda própria, ataca com Valtenice olhou no espelho e mostra o porquê daquelas duas palavrinhas que coloquei entre seus dois nomes. O português Luís Filipe Silva, um dos autores de Terrarium (que alguma editora daqui podia publicar), escreveu uma impressionante história sobre o último homem da Terra em Dormindo com o inimigo – e nem precisou ter a Julia Roberts. Um dos melhores contos do livro, na minha opinião de mero leitor sem pretensão a crítico. Já Márcia Olivieri nos brinda com uma FC que fala de um certo Projeto Metagênese no conto O último crepúsculo. Bem na linha Twilight Zone,Mario Carneiro Jr. descreve Um estranho incidente noturnoMax Mallmannmistura freiras, seqüestradores e nomes gregos em Hábito noturnoMiguel Carqueija, em A ponte, faz Priscilla (morena e magra) pensar em mundos paralelos. E eis que chega o conto do Octávio, Armageddon em Madureira, para o qual ele me criou uma ilustração toda original em forma de autógrafo. Ou seria o contrário? Regina Drummond, no conto Herança, fala sobre as 39 plantas da tia Adélia que ficaram para sua sobrinha. Em Apenas sonhosShirley Souzaquestiona a natureza da realidade e... dos sonhos. A última valsa, conto curtinho deTatiana Alves, fala sobre um sujeito que encontra um estranho navio, ou foi encontrado por ele. Fechando a coletânea temos um conto/HQ escrito por Braulio Tavares e ilustrada por Cavani Rosas: malassombrado, sobre medo de morcegos e muita imaginação. Pena que é pequenino-nino-nino.


Um livro curto (acabei no mesmo dia), atraente tanto no aspecto físico quanto no recheio. Não sou crítico, nem tenho nenhuma ferramenta para julgar os méritos ou os defeitos de um livro que não se baseie puramente no meu gosto como leitor e minha curta experiência de enfileirador de frases. Mas posso dizer, sem medo de errar, que Galeria do Sobrenatural está entre os melhores trabalhos nacionais aos quais tive acesso ano passado, e não peca pela irregularidade.


Recomendadíssimo.

Solarium 2



Mais uma antologia da editora Multifoco me chega às mãos, agora por intermédio do jovem Matheus A. Quinan, cujo blog você pode conferir aqui. O livro: Solarium 2, uma coletânea de contos de Ficção Científica editada por Frodo Oliveira. Desta vez, não será possível falar um pouquinho de cada conto. Explico: tenho o hábito, adquirido nas resenhas e fichamentos que a faculdade me exigia, de afundar em um mar de anotações rabiscadas num velho caderno. A má notícia é que os guris aqui de casa transformaram o pobrezinho numa pasta gosmenta. Babau anotações. Façamos um parágrafo de silêncio.

(...)
 
Pronto.
            
O caderno não existe mais. Eu, no entanto, tenho uma coisa ou outra pra dizer.
            
Solarium 2 se parece com os cadernos semestrais de departamentos acadêmicos, como a Tempo, da UFF, ou a revista Signum, dedicada aos estudos da Idade Média. A ilustração da capa, uma estranha espaçonave metálica se aproximando da Terra, é bonita. Mas parece reproduzir, com substancial ajuda das fontes selecionadas, o velho paradigma entranhado na cabeças dos leitores de fora do fandom: escapismo, clichês, falta de profundidade e irrelevância literária.
            
Eu realmente estou cansado desse tipo de visão. Mas como mudá-la, se até o que produzimos é um reflexo dessa percepção? Boa pergunta. Mas alguns contos da antologia sugerem que há autores iniciantes se debatendo contra o status quo. Apesar das derrapadas, como excesso de exclamações e abuso da caixa alta, o germe da forma, tão importante quanto a idéia, já começa a brotar e ser um tiquinho mais valorizada. Longe do ideal, claro, mas um bom sinal. A quantidade está aí, como mostra o levantamento de Ana Cristina Rodrigues. Agora, rumo à qualidade. E um pouco de coragem de quebrar velhos moldes.
            
A seguir, os contos que compõem a antologia e seus autores. Meu caderninho está fazendo falta. Rezem por sua alma pautada. A ascenção de Maya, de Ronaldo Luiz Souza; 777, de Igor Silva; A estrela cadente, de Luiz de Souza; Beta teste, de Rubem Cabral; Heliófilos, de J. Miguel; Memórias, de Frank Bacural; O último reduto, de José Geraldo Gouvêa; O E.T. Espião, de Lauro Winck; A nave dos deuses, de Emanoel Ferreira; Brincando de Deus, de Bia Machado; Herança, de Daniel Lima; Nem tudo é o que aparenta, de Henrique Weizenmann; Onda atômica, de Duda Falcão; 2109 – O Programa Titã, de Alex Lopes; A sala das garrafas, de Matheus A. Quinan; Entre o Céu e a Terra, de Jota Fox e Misael Archanjo; Les habitants du Soleil, de Cássio Michelon; O Espelho, de Rubem Cabral; Roswell, de Humberto Amaral; Aconteceu num dia quente de verão, de Luiz Mendes Jr; Experimento, de Fillipe Jardim; Manuscrito de viagem, de Jorge Eduardo Magalhães;O lado oculto da Lua, de Frodo Oliveira; O sobrevivente, de Bruno Borges; Sapiens, de Cátia Cernov.

Dos contos acima listados, destaco A ascenção de Maya. Com algumas frases a menos, Ronaldo Luiz Souza teria produzido um grande conto.

Da arte interna, destaco a ilustração da página 70, O E.T. Espião. Jota Fox e Jou Martins acertaram em cheio. Curiosamente, a ilustração da página 74 é bem fraquinha. Um bom exemplo dos altos e baixos que acometem a antologia.

Minha grande queixa em relação ao livro: letras quase impossíveis de ler de tão pequenas e apagadas, o que torna o livro muito cansativo. O nome dos autores logo acima dos títulos de cada trabalho está praticamente invisível. E a explicação do editor para isso não convenceu.

Positivo: capa agradável; contos divertidos quando arriscam ir mais além.

Negativo: fontes lavadas, parecem fotocópias; perpetuação da imagem padrão da FC como gênero menor para o público extra-fandom; abuso de exclamações e caixa alta.

Você pode adquirir um exemplar de Solarium 2 aqui; e encontrar alguns de seus autores aqui.