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quinta-feira, 31 de março de 2011

14 Balas para Tibor Moricz

Filho de húngaros, Tibor Moricz é um paulistano nascido em 1959. Publicitário e escritor, publicou Síndrome de Cérbero (2007) e Fome (2008). É um dos organizadores dos dois primeiros volumes da coleção Imaginários e capitão do bem sucedido blog internacional de entrevistas ficcionais From Bar to Bar. Premiado em concursos literários, tem contos publicados em revistas virtuais e em papel. Foto: Hugo Vera.
     
     Prestes a lançar o romance O Peregrino- Em Busca das Crianças Perdidas, o high plains drifter Tibor Moricz aceitou baixar o Colt e responder algumas perguntas sob o sol do meio dia. 
      
     Vamos lá, então. 

     Cilindroide: Você já disse antes que seu amor pelos livros se deve em grande parte à sua mãe, grande leitora. É possível ter uma relação forte com a Literatura sem necessariamente se arriscar a escrever? Por que você se arrisca?

Tibor Moricz: Minha mãe foi a principal responsável por ter me feito gostar dos livros. Foi com ela que fiz meus primeiros contatos com Agatha Christie, Rex Stout, Patrícia Highsmith, Dashiel Hammet, Raymond Chandler, George Simenon e Erle Stanley Gardner. Fã que era do gênero policial é normal que me fizesse um fã também. Seguiram-se Iam Fleming e John Le Carré em livros de espionagem e todos os grandes em Ficção Científica. Mas minha relação com a literatura, apesar disso, nunca foi tão forte. Sou sazonal, às vezes mergulhando em leituras, às vezes abandonado-as por longos períodos. Fico três, quatro, cinco meses sem tocar num único livro, sem constrangimentos nem arrependimentos. Estendo isso como uma espécie de afastamento terapêutico. Ser escritor é uma consequência advinda do gosto da leitura com um talento natural, tão necessário para escrever (não me venham com as cantilenas de que basta aprender técnica literária para qualquer um virar escritor. Isso é deslavada mentira). Arrisco-me a escrever porque sou bom nisso. Se não fosse, com o bom senso que julgo possuir, estaria fazendo qualquer outra coisa.

Cilindroide: Qual é o seu ritmo médio de produção, se podemos dizer assim? Há diferenças na hora de se organizar para escrever um conto ou um romance?

Tibor Moricz: Há alguns anos, quando iniciei, eu era mais disciplinado do que agora. Escrevia todos os dias, regularmente. Hoje entendo que escrever é, sobretudo, um ato de prazer e como tal, deve ser vivenciado sem que se transforme numa obrigação. Assim, escrevo quando me dá na bola, quando me dá coceira, ou quando surge (às vezes nem assim) uma grande ideia. Escrever um conto ou escrever um romance não altera minha rotina organizacional. Ambos têm linguagens e abordagens diferenciadas, mas nada que me obrigue a elaborados exercícios mentais. Existem compartimentos em meu cérebro voltados para cada gênero, para cada extensão. Trata-se de abrir a porta certa na hora certa.
                                                                         
     Cilindroide: Falando de organização, entremos na questão dos rótulos, definições e afins. Você enxerga algum tipo de fronteira entre a Literatura de Gênero e o chamado Mainstream, além das alegadas preocupações (ou falta dela) com a Forma?

Tibor Moricz: Além do fato de a literatura de gênero (e aqui me refiro especificamente à FC) ser essencialmente especulativa e a literatura mainstream ser essencialmente cotidiana, nenhuma diferença além da preocupação com a forma. Ambas são linguagem.

Cilindroide: Como conciliar Forma e Gênero?

Tibor Moricz: Não vejo nenhuma dissociação entre eles. Existem escritores diferentes, com capacidades diferentes, com interesses diferentes, com talentos diferenciados. Escrever é, acima de tudo, fazer-se entender. Para isso é necessário que se atente pela norma culta, que conheça técnicas literárias (e as utilize com competência). Quem gosta de vomitar o texto no papel (e temos muitos fazendo isso) sem outra preocupação senão escrever uma história mirabolante, não é escritor. É nada.


Cilindroide: Tibor Moricz é um autor de Gênero?

      Tibor Moricz: Tibor Moricz é um autor extragêneros.

Cilindroide: Existe espaço para experimentalismos – e não me refiro apenas à linguagem, mas também a estruturas diferentes – na Literatura Especulativa nacional?

Tibor Moricz: Existe espaço para tudo, desde que existam leitores para tudo. Eu não gosto, já que entendo a literatura de gênero como uma literatura popular, para ser lida por muitos. Experimentalismos herméticos afastam esses leitores e descaracterizam a mais básica essência do gênero.

Cilindroide: Entrando no assunto de mercado... Não sei se é só comigo, mas muitos posts no É só outro blogue me passam a impressão de que você ainda está desconfiado com o boom da Ficção Especulativa por estas bandas. O que há para comemorar e o que há para temer, em sua opinião?

Tibor Moricz: Devemos comemorar o boom e devemos temê-lo. Por um lado temos um alargamento de publicações nunca antes visto, por outro uma fronteira não muito distante que pode brecar essa expansão. Refiro-me à fronteira formada por leitores reais. Uma hora atingiremos algum tipo de saturação, quando as publicações chegarão ao seu limite de mercado. Para evitar isso precisaríamos ultrapassar essa fronteira, buscando leitores potenciais para além dela. Com ações de marketing, com presença na mídia, com apoio de entidades e associações (tô viajando... rs), com o reconhecimento do establishment e com obras de reconhecida qualidade editorial. Há muita coisa sendo lançada que não ultrapassará a curva do rio.

Cilindroide: Como surgiu a ideia para suas entrevistas insólitas, De Bar em Bar? Por que uma versão em inglês? Tem sido difícil entrar em contato com os escritores estrangeiros?

Tibor Moricz: Nem sei dizer como surgiu a ideia de fazer as entrevistas ficcionais do De Bar em Bar. Juro que não lembro. Mas foi um sucesso tão grande que não havia como mantê-lo preso à nossa fronteira. Apesar das críticas recebidas por alguns que viam o formato como uma bobagem, essas entrevistas ganharam o mundo. Foi Adriano Fromer Piazzi que levantou a bola em estender o formato para autores internacionais ao oferecer Kim Newman. Eu soube na hora que se essa entrevista desse certo deveria continuar entrevistando autores consagrados lá de fora para não perder o bonde. Fazer contato com eles foi complicado no início, quando não me conheciam nem entendiam direito o que era esse negócio de From Bar to Bar. Hoje tenho fácil acesso a qualquer um. Muitos autores entrevistados oferecem o contato de outros, facilitando o meu trabalho.
  
Foto gentilmente surrupiada daqui. 


Cilindroide: Fale um pouco sobre seu novo romance, O Peregrino. O que os leitores podem esperar dele?

Tibor Moricz: Podem esperar, no mínimo, uma muito boa leitura. O Peregrino é um romance que nasceu para ser conto. A porta do compartimento que abri em meu cérebro foi a do conto. Entrei nele, vasculhei, peguei as ferramentas que necessitava e saí de lá com um romance nas mãos. Não me peça explicações porque nem eu as tenho... rs. Tentei criar um personagem com carisma, tentei escrever uma história page-turner, tentei ser elaborado na trama, tentei um desenvolvimento criativo, tentei completar todos os ciclos de maneira surpreendente e tenho certeza de que consegui tudo isso. Foi um livro que me deu imenso prazer em escrever e me provocou um período de depressão quando o terminei. Não queria terminá-lo. Mas quando vi que ele nunca acaba e nunca acabará, voltei a ficar feliz.

Cilindroide: Por que um western? Gosta do gênero? Assistiu algum enquanto escrevia?

Tibor Moricz: Quando comecei a escrever não tinha nada na mente senão ir colocando no papel as ideias como elas me surgiam. Só fui decidir pelo caminho do western mais tarde, quando a história chegou num ponto “X” que exigia uma definição de gênero. Então enfiei um Colt45 lá e toquei o bonde pra frente. (O último western legítimo que assisti foi Tombstone há uns 4 anos... oh, bem, assisti recentemente Jonah Hex, mas aí é uma fantasia, certo?).

     Cilindroide: Planeja se aventurar outra vez no universo d’O Peregrino? Steampunk e Weird West são gêneros em ascensão entre os leitores brasileiros...

Tibor Moricz: O Peregrino não admite novas aventuras e os leitores se darão conta disso quando o lerem. Mas não afasto a possibilidade de, futuramente, adentrar o terreno do western novamente.

 Cilindroide: O que podemos esperar de Tibor Moricz após O Peregrino?

 Tibor Moricz: Tenho três projetos em andamento. Um de Terror, um de Fantasia     Urbana e um de FC. Todos eles romances. O de FC sai primeiro, o de Fantasia Urbana logo em seguida (aqui me refiro a meses, quatro ou cinco, no máximo).

Cilindroide: Previsão para Brinquedos Mortais?

Tibor Moricz: Nem ideia. Mas acredito que entre junho e agosto. Está nas mãos da editora. O Erick sabe o que faz (e, principalmente, sabe onde lhe aperta o calo...rs).

Cilindroide: Conselho de Tibor Moricz para quem também se arrisca na escrita:

Tibor Moricz: Não se arrisque na escrita.

Cilindroide: Muito obrigado, Tibor. Que venha o Peregrino, então.

Tibor Moricz: Eu é que agradeço por essa entrevista. Se não gostar do livro, o Erick te devolve a grana (e um tiro de Colt45, também, de brinde)...rs.

Abaixo, o release oficial da Editora Draco:

O PEREGRINO - EM BUSCA DAS CRIANÇAS PERDIDAS


Não é a cara daquele sujeito que dirigiu Menina de Ouro, com a Hillary Swank?

O romance O Peregrino – Em busca das crianças perdidasde Tibor Moricz, fala de duelos heroicos, amizade e coragem. Fala também de cobiça, ódio e perseguição. Narra a jornada de um homem em busca de crianças perdidas, de pistas para esclarecer seu passado misterioso e de suas próprias e assustadoras verdades.
Para lá do Posto de trocas do Finnegan, para lá da Garganta do enlouquecido (muito cuidado aos que forem atravessá-la), existem três cidades. Em duas, Downtown e Middletown, os cidadãos vivem massacrados pelo jugo totalitário imposto por Uptown, a terceira delas.
De Uptown vêm abutres terríveis, delegados simbiontes mortíferos e fantásticos mecanismos cujas funções extrapolam a mais fértil imaginação.
Só uma coisa une todas as cidades: a crença na vinda de um homem, na vinda de um salvador. A crença na vinda do Peregrino.
Ambientado no meio oeste norte americano nos idos de 1870, este romance promete tudo, menos tédio. Com ritmo narrativo intenso e final surpreendente, O Peregrino tem tudo para ser um dos principais lançamentos do ano dentro da literatura de gênero nacional.

Você pode adquirir um exemplar aqui.

quinta-feira, 17 de março de 2011

10 Perguntas para José Roberto Vieira

     
José Roberto Vieira nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ. Atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) Pacto de Monstros (2009). O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é seu romance de estreia, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Nele, passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG e videogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.
        
      Nesta pequena entrevista, José Roberto Vieira fala de influências, sonho e adianta o título da sequência de O Baronato de Shoah.

     Cilindroide: Você já disse em outra ocasião que o RPG o livrou de algumas influências negativas. Além de salvar a sua vidaque papel estes jogos tiveram na formação de um José Roberto escritor?
          
José Roberto: O RPG é uma das minhas maiores influências, foi ele quem me levou a conhecer autores literários e a minha vontade de ser escritor veio daí. Quando comecei a jogar nunca aceitava o que os livros falavam totalmente, então adaptava várias coisas (todo mundo faz isso, não?) para o que eu queria. No fim acabava criando mundos novos, mas com interferência dos módulos básicos. Jogos como Dungeons & Dragons me fizeram ir procurar literatura medieval (e descobrir que ambos tinham pouco em comum…). Vampiro: a máscara me fez ir atrás da literatura de terror e por aí vai. Você pode querer ser um escritor com alguma base em RPG, mas não pode ficar só nisso.

Cilindroide: Livros podem salvar pessoas, então?

 Podem. Assim como o futebol, a dança, a música. Depende do caminho da sua vida e do que você quer fazer com ela.

Cilindroide: Fale um pouco sobre seus trabalhos anteriores ao Baronato de Shoah: A Canção do Silêncio.

José Roberto: Tenho dois trabalhos que considero mais relevantes para mim, além de contos publicados em antologias. Éride, um RPG no mundo contemporâneo onde os filhos dos deuses gregos combatem pelo domínio da eternidade; e Taenarum, um RPG de fantasia onde os elfos impuseram uma ditadura às demais raças e os anões são seus maiores inimigos.

Cilindroide: Contos e Romances exigem abordagens diferentes na hora de se organizar para escrever? Que imprevistos encontrou enquanto trabalhava no livro?

José Roberto: Sim. Ambos têm estruturas diferentes, o conto é algo mais centrado, em torno de um único tema. Já o romance pode ter várias ramificações e conflitos. Meu maior problema com o livro foi que algumas vezes eu perdia o foco, ou colocava personagens demais, deixando-os sem utilidade alguma. Mais tarde isso foi corrigido, a obra ficou mais centrada, com menos personagens, mas todos ganhando sua importância e história. Mesmo os vilões atraem sua simpatia, por que não são apenas os caras “malvados”, mas pessoas que acreditam no que fazem.

José Roberto e Erick Sama, editor da Draco, tentando fingir que não é
uma Barbie em cima de sua cabeça


Cilindroide: Temos um release aqui, mas queremos ouvir de você: o que os leitores podem esperar de O Baronato de Shoah?

José Roberto: Vocês podem esperar uma obra que foi feita com carinho, dedicação, esforço e sacrifício. Há um pedaço da minha alma neste livro. Este mundo ainda tem muito a oferecer e a saga da “Canção do Silêncio” é só uma parte dele. Juntos, eu espero que possamos desbravar cada cidade, cada reino e ilha de Nordara e além.

Cilindroide: Shoah, Kabalah, Nabiyim... Alguns termos utilizados no livro possuem uma sonoridade hebraica, digamos assim. Houve alguma influência da cultura judaica no desenvolvimento do universo onde se passa o romance?

José Roberto: Totalmente. Eu sonhei com o nome “Shoah” e só mais tarde descobri que ele realmente existia. Fui atrás da cultura hebraica por causa disso e me apaixonei logo de cara. Com o passar do tempo e muita pesquisa fui adaptando palavras e conceitos para o que eu queria. O Baronato de Shoah, a seu modo, é também uma homenagem a esta cultura tão estimulante.

Diren Grey, arte de Rod Reis


Cilindroide: Falando em influências. Como animações e games influenciaram o Baronato?

José Roberto: Animes como Steamboy, Last Exile, ou jogos como Final Fantasy (principalmente o 3/6) foram de grande influência para o Baronato, por isso no livro nós temos tantas referências a eles. Sempre que eu me encontrava desmotivado, procurava estas obras para inspiração. Não que eu quisesse copiá-los, mas queria extrair deles o conhecimento necessário para meu próprio mundo.

Cilindroide: O Baronato de Shoah é considerado por muita gente o primeiro romance steampunk nacional. Agora, José Roberto Vieira é uma referência para os steamers. O que acha disso?

José Roberto: Ainda fico surpreso com blogs e sites me chamando de “Senhor Vieira” ou algo parecido. E fico mais surpreso ainda quando pessoas de fora da internet descobrem a obra. Por exemplo, um dia desses eu estava na Livraria Cultura e vi um cliente e um vendedor consultando o livro no sistema! Foi maravilhoso, mas não me aproximei. Depois, escutei o vendedor dizendo que também estava esperando o livro, pois estava curioso sobre ele. Os steamers sempre me trataram muito bem e adotaram o Baronato e sua cultura. Sou muito grato a eles pela ajuda e incentivo que me deram desde o primeiro parágrafo. Se você prestar atenção, há homenagens ao Conselho Steampunk no Baronato de Shoah.



 Cilindroide: Podemos esperar outras histórias no universo de O Baronato de Shoah?
        
      José Roberto: Sim, eu já tenho alguns contos prontos neste universo, e estou rascunhando a continuação do Baronato de Shoah. Até agora não tenho muita coisa, mas adianto um spoiler: O Baronato de Shoah: A Máquina do Mundo.
     
Autografando o primeiro exemplar
       
     
      Cilindroide: O que mais vem por aí?

José Roberto: Eu quero viver disso, sabe? Quero criar os romances e Éride e Taenarum, trabalhar com estes mundos seria fantástico. Também quero que o Baronato cresça, que os brasileiros tenham um cenário grandioso para chamar de seu e ter orgulho de mostrar e divulgar. É o meu sonho.

Cilindroide: Agora o espaço é seu. Boca no trombone.

José Roberto: É hora de agir, pessoal. A Literatura Fantástica está dando seus passos, e os escritores brasileiros crescem em números. Vamos agir com profissionalismo, nos ajudar, criar eventos, ter esperança. Juntos podemos transformar o mercado.

Cilindroide: Obrigado, Senhor Vieira.

O Baronato de Shoah será lançado dia 03/04 às 15:00, na Friends Shop, loja oficial do Anime Friends. O local é o Bairro da Liberdade, na rua Conselheiro Furtado, numero 303 (perto da rua Santa Luzia e da Rua da Glória). Você também pode encontrar o livro no site da Editora Draco. 

Adquira o seu antes que o Senhor Vieira fuja
com todos eles




quinta-feira, 3 de março de 2011

O Baronato de Shoah vem aí




           
O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG evideogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo deO Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.

Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.

Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.
Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

Sobre o autor:
José Roberto Vieira
Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros (2009).BLOG www.baronatodeshoah.blogspot.com
                                                                                                    
O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio

Autor: José Roberto Vieira

Gênero: Literatura fantástica - romance
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90


EDITORA DRACO
Draco. Do latim, dragão.


A Editora Draco trabalha para fortalecer e patrocinar o imaginário brasileiro, tão nosso e único. Queremos publicar autores brasileiros, aliando design, ilustrações e tudo o que for possível para que nossos leitores sejam atraídos pela beleza das histórias e personagens que nossos livros trazem.

Com isso, esperamos que nossos leitores tenham acesso ao nosso maior tesouro: a literatura fantástica brasileira.


Assessoria de Imprensa: A/C Erick Santos e Karlo Gabriel – editoradraco@gmail.com    


Imaginários 3



Achar um espaço ao sol, em qualquer nicho de atividade, é coisa complicada. Piora quando o referido nicho é uma, digamos, atividade artística. Se você que está lendo isso e tem pretensões de escrever O Grande Romance depois da faculdade ou quando o trabalho der um tempo para sua mente brilhante entrar no ritmo (o que, sinto dizer, só vai acontecer quando for um aposentado, desempregado ou escrever obras primas em trinta dias de férias), com certeza já devorou um sem número de dicas de escritores, processos criativos, teorias da Literatura e, como aquele brinquedo favorito, desconstruiu textos dos autores que gosta para entender como funcionam. (Caso diga que não fez/faz nada disso você não está sendo muito sincero ou não se esforça muito, certo?). Espremido entre coisas como “saia e veja as pessoas”, “não mande seu original sem ser solicitado” e “gaste seu dinheiro com cerveja” encontramos com freqüência um “publique em antologias”.

– Hã? Como é? – eu sempre resmungava, surpreso, quando esbarrava como algo do tipo. – E como vou encontrar antologias, senhor sabichão?

Digamos que talvez eu não estivesse procurando nos lugares certos. Mais ou menos um ano atrás, enquanto singrava alegremente os mares do fandom brasileiro, esbarrei com dois livrinhos com o logotipo de um dragão na capa. Tratava-se dos dois primeiros volumes da coleção Imaginários, da Editora Draco, com uma lista de nomes que, se não são famosos nos círculos da literatura do cotidiano (termo cunhado pelo Eric Novello e que me aproprio aqui), tem seu peso na Ficção Especulativa brazuca (e portuga). O objetivo do editor Erick Santos era priorizar a literatura produzida aqui, apostando na qualidade dos escritores brasileiros, que em seus grandes momentos não ficam atrás dos estrangeiros.

Um ano depois, a idéia da editora tem  dado resultados. O dragão está soprando novos títulos com espantosa velocidade, visando o público além do tal fandom. Em meio a tantos livros já lançados e outros tantos chegando – que inclusive já falamos aqui no Coelho – um é particularmente especial para este que vos tecla: o terceiro volume da coleção Imaginários. Pode adivinhar por quê? Aí vai uma pista, escondida nos contos que compõem o volume. As sinopses foram escritas por seus autores a pedido de Douglas MCT:

BONIFRATE é uma singela homenagem a Pinóquio, do Collodi.
Concebi a trama usando alguns elementos steampunk e de Fantasia, com um alto grau de estranheza embutidos aqui e ali. A história, por mais que tenha meu estilo, é uma experimentação proposital de narrativa e condução de plot. Para o clima, me inspirei em alguns conceitos de Matrix e, para elaborar certas cenas e situações, busquei bases em Watchmen. Há ali a essência do Grande Irmão, construtos com coração a vapor, espíritos e uma força maior — e talvez mecânica — conduzindo as peças.

É uma ficção alternativa, que brinca com as incógnitas e tenta fazer o leitor se perder em algumas esquinas, num lugar não definido. A ideia ao escrever Bonifrate, era deixar a imaginação de quem lê complementar os espaços vagos de propósito no texto, para chegar ao seu desfecho próprio, único. Quero que essa leitura seja uma experiência para o leitor, como foi para mim ao escrevê-la.


A TORRE DAS ALMAS | Eduardo Spohr
No universo de A Batalha do Apocalipse, um grupo de anjos de Gabriel sai em missão e descobre pistas do que pode ser uma conspiração ao investigar na Terra aquilo que parece ser um simples caso de espírito aprisionado.

BREVE RELATO DA ASCENSÃO DO PAPA ALEXANDRE IX | Marcelo Assami
Monstros são caçados perto do Vaticano, uma família brasileira decide eleger um novo Papa e Gaetano Casanova escreve novas memórias.

AS NOIVAS BRANCAS | Rober Pinheiro
É o segundo conto de Ficção Científica que escrevi, e narra as desventuras bem o estilo ao infinito e além de uma personagem conhecida do nosso folclore, porém deslocada de seu contexto local e inserida num ambiente totalmente diferente.

DIES IRAE | Lidia Zuin
Pelas ruas de uma metrópole, sobrevive a pútrida e degenerada figura de uma hacker engolida por substâncias narcóticas. Consumida por seu comportamento junkie, Lynx vive sob condições precárias e sob a ameaça de ser morta por um grupo de jovens violentos, os rivetheads. Dies Irae é um conto cyberpunk que viaja por tribos urbanas e arquétipos de um futuro perturbado por gangues, megacorporações e por uma incrível e insensata sensação de falta de limites.

VIDA E MORTE DO ÚLTIMO ASTRO PORNÔ DA TERRA | Marcelo Galvão
Em um mundo no qual humanos perderam seus empregos para robôs, um ex-ator pornô tenta recuperar seus dias de glória a qualquer preço.

CORRE, JOÃO, CORRE | Cirilo Lemos
João é um fracassado. Marido medíocre, pai ausente e carente de senso prático, tudo o que ele mais deseja na vida é ser um homem melhor. Quando estranhos vultos vêm atrás de seu filho, o que ele pode fazer além de correr?

UMA SEGUNDA OPINIÃO | Fernando Santos de Oliveira
Uma garota que quer ser popular e chamar a atenção do menino que gosta, age sob os conselhos de alguém terrível e pode se tornar o que mais odeia.

MARIA E A FADA | Ana Cristina Rodrigues
É uma fantasia histórica passada no século XV, que trata da sucessão do ducado da Borgonha e da lenda da Melusina.

O PRIMEIRO CONTACTO | Fábio Fernandes
É uma homenagem-sátira à space-opera, escrita à maneira de um de seus representantes máximos, Edmond Hamilton. Na verdade, é uma espécie de transição do steampunk para a space opera, pois misturo personagens já usados em histórias steamers com personalidades da vida real para descrever como poderia ser um contato com alienígenas nos anos 1920. O conto tem de tudo um pouco: velozes espaçonaves, bravos soldados do espaço, malignos seres de outros mundos e um final-surpresa, claro.

“Publique em antologias”. Finalmente entendi.

Imaginários 3 pode ser encontrado aqui.

Sopro quádruplo do Dragão

“Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos”, de Antonio Luiz M. C. Costa “Neon Azul”, romance de Eric Novello Vaporpunk – relatos ’steampunk’ publicados sob as ordens de Suas Majestades Imaginários – contos de fantasia, ficção científica e terror vol. 3

A Editora Draco, nestes tempos frios de Agosto, está anunciando novos lançamentos  para esquentar o cenário fantástico nacional. Dessa vez, o sopro do dragão é quádruplo. Confira os releases puxados diretos do site:

ECLIPSE AO PÔR DO SOL E OUTROS CONTOS FANTÁSTICOS 

Em sua primeira coletânea de ficção, Antonio Luiz M. C. Costa, editor de política internacional da Carta Capital, oferece ao leitor uma viagem por seis contos que vão da Antiguidade Clássica ao Século XXI, com escalas no Portugal da Renascença, no Brasil do Segundo Reinado e nas míticas Asgard e Atlântida, mostrando realidades com os olhos da fantasia. Atenção, senhores passageiros: para sua segurança, preste atenção a estas recomendações. Nestes seis contos, viajarão da Antiguidade Clássica ao Século XXI, com escalas no Portugal da Renascença, no Brasil do Segundo Reinado e nas míticas Asgard e Atlântida. E não será dessas excursões nas quais se olha as paisagens pela janela do ônibus com ar condicionado, deixando as lorotas do guia entrarem por um ouvido e saírem pelo outro enquanto deglutem seus refrigerantes e batatas fritas.

Este é um turismo de aventura. Se quiserem entender os nativos, terão de ficar atentos, pois eles falam com seus sotaques nativos, não na língua dos âncoras da tevê. Precisarão desembarcar em solos estranhos e achar o caminho com os próprios pés. Em compensação, serão recebidos por deuses e ninfas e conhecerão grandes vates e bardos. Caso se atrevam, terão a oportunidade de partilhar o leito com tórridas ou tórridos amantes. Mas com uma coisa não precisam se preocupar: não se perderão em quimeras nebulosas, em devaneios insinceros. Esta caixa contém meia dúzia de pílulas meio vermelhas, meio azuis, para se ver realidades com os olhos da fantasia.

NOTA DO CIRILO: Antonio Luiz M. C. Costa é um dos poucos – pouquíssimos – críticos de literatura fantástica aqui no Brasil. Suas análises diretas tem a capacidade paradoxal de fazer muita gente rir e outro tanto chorar. 

VAPORPUNK: RELATOS STEAMPUNK PUBLICADOS SOB
AS ORDENS DE SUAS MAJESTADES

Com força mundial, a estética steampunk vem angariando cada vez mais fãs brasileiros e portugueses. Seu apelo visual e o rico conteúdoinspirados no século XIX são o combustível certo para a produção de uma literatura que pode ser intensa, mas também descontraída. Descubra o que oito autores maquinaram nesse intricando conjuntode engrenagens que é a imaginação.

O steampunk nasceu como um gênero literário, mas ganhou vida própria e dominou a moda e as artes plásticas, tornando-se cada vez mais conhecido. Se a cultura da era vitoriana virou inspiração para essa estética, em Vaporpunk - Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades, os organizadores Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva imaginaram essa época tão distinta sob a ótica brasileira e portuguesa, repleta de inovações tecnológicas e acontecimentos inusitados.Com a presença de renomados autores da ficção especulativa dos dois países, Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi e o próprio Gerson pelo Brasil; Jorge Candeias, Yves Robert e João Ventura por Portugal; a coletânea traz oito noveletas movidas a vapor, disputas políticas, personagens famosos e armas engenhosas. Tudo isso regado a muita aventura e surpresas, porque mais do que repensar o gênero, Vaporpunk é um convite para conhecer um mundo alternativo, e o que Brasil e Portugal poderiam ter sido com tamanhas novidades.

NOTA DO CIRILO: Uma das capas mais bonita da editora.

NEON AZUL

Eric Novello nos apresenta o Neon Azul,  uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. Um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Acompanhe a história do inferninho e de seus clientes peculiares, e descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis. Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou; um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão. resenta um homem que não dorme nunca. Um advogado com um cramulhão na garrafa. Um assassino que atravessa espelhos. Um escritor que não consegue prender sua personagem no papel. Esses são alguns dos frequentadores de Neon Azul, um bar diferente para cada cliente. Escolha o seu lugar, faça o seu pedido.

 Nesse jogo de luzes e sombras que revela a fantasia e encobre a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história. Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o  que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

NOTA DO CIRILO: Só eu acho a figura da capa parecida com o próprio Eric?

IMAGINÁRIOS 3

Um é pouco, dois é bom e três é demais. Organizada por Erick Santos – The Boss, conforme Jim Anotsu – a coleção Imaginários chega ao terceiro volume prometendo confirmar o adágio acima. A ideia da série é mesclar autores consagrados com estreantes e criar um cardápio de gêneros variados, para dar um “sopro de frescor” no nosso cenário praticamente underground. Como as sinopses dos contos já foram divulgadas no post anterior, reproduzo aqui as palavras de Eric Novello (o autor de Neon Azul e um dos responsáveis pelas duas primeiras edições de Imaginários):

 Eduardo Spohr – traz o primeiro spin off oficial de A Batalha do Apocalipse, o conto A Torre das  AlmasMarcelo Assami – lembrando os bons tempos do Joca Terron, com Breve relato da ascensão do Papa Alexandre IXRober Pinheiro – o criador de Thargor dá mais um passo em direção à ficção-cientítica, com o conto As Noivas BrancasDouglas MCT – o roteirista de Hansel & Gretel publica seu primeiro conto steampunk: Bonifrate. Tem ainda Lidia Zuin – que bebe da fonte cyberpunk e do universo dos hackers com o conto Dies IraeMarcelo Galvão – mistura robôs e a vida de um ator pornô decadente em Vida e morte do último astro pornô da TerraCirilo S. Lemos, com Corre, João, correFábio Fernandes, com Uma segunda opiniãoFernando Santos de Oliveira, com O Primeiro Contacto; e Ana Cristina Rodrigues – que segue apostando forte na fantasia histórica, com o conto Maria e a fada.

Já passaram pela coleção ImagináriosGerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Tibor Moricz, Saint-Clair Stockler, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales, Richard Diegues, João Barreiros, Jorge Candeias, Alexandre Heredia, Sacha Ramos, Luís Filipe Silva, André Carneiro Eric Novello.


Você encontra o quatro livros AQUI.